DIRECIONADA PARA INSTALADORES HABILITADOS
Estas instruções detalhadas a seguir é um resumo das diretrizes da norma em vigor, a
NBR-5419/2005 da ABNT, norma esta que orienta nas instalações de sistemas de pára-raios,
e que deve obrigatoriamente ser seguida pelos instaladores, pois na eventualidade de
algum acidente proveniente de uma negligencia na instalação ou nos materiais utilizados,
o responsável responderá criminalmente pelo acidente e suas conseqüências e civilmente,
no que tange a indenizações.
Estaremos dividindo em 4 tópicos básicos, as orientações sobre a instalação de
pára-raios, sendo a primeira o sistema de captação, ou seja, tudo aquilo que será
montado sobre a edificação e suas estruturas destinadas a receber a descarga elétrica
do raio.
O segundo tópico destina-se ao sistema de descidas, ou seja, tudo aquilo que for
utilizado para conduzir as correntes elétricas dos raios até os aterramentos.
O terceiro tópico destina-se ao sistema de aterramento, ou seja, o que deve ser
aproveitado da edificação e instalado, visando proporcionar a dissipação das correntes
elétricas no solo, sem causar danos.
O quarto e ultimo tópico, será destinado às estruturas metálicas que devem ser
interligadas aos sistemas de pára-raios, como forma de promover uma equalização de
potenciais.
SISTEMA DE CAPTAÇÃO
No sistema de captação, está considerado tudo o que existe sobre a edificação que possa
atrair uma descarga elétrica, e tudo aquilo que deverá ser instalado para assim compor
um sistema de captação.
De acordo com a norma, existem dois sistemas básicos de captação, que são os captores do
tipo Franklin montados com mastros e o sistema de gaiola de Faraday, que é composto de
uma malha de captação que pode ser executada com cabos de cabo nu, cabos de alumínio ou
fitas de alumínio, sobre a edificação.
A escolha por um sistema ou outro, depende do tipo físico da edificação e principalmente
da sua estrutura de cobertura, pois os captores Franklin são instalados com mastros,
normalmente com 6 metros de altura, e utilizado em local onde a fixação destes mastros
não seja problemática e geralmente em edificações mais baixas, e onde o ângulo de
proteção que o captor Franklin apresenta, possa cobrir toda a edificação com poucas
unidades, evitando-se assim como comumente é chamado pelos instaladores de (paliteiro),
ou seja, uma quantidade muito grande de mastros. Nesta situação, a opção por um sistema
de gaiola de Faraday talvez seja mais viável e mais econômica.
O sistema de captação do tipo Franklin, de acordo com a norma, apresenta na média um
ângulo de proteção de 45º, ou seja, o que se tem de altura livre acima da cobertura da
edificação, é exatamente o raio de proteção deste captor. Como exemplo, um mastro com 6
metros de altura, instalado sobre uma casa, apresentará um raio de proteção de 6 metros,
formando um circulo com diâmetro de 12 metros, e se esta área de proteção não cobrir
totalmente a casa, outros captores adicionais devem ser instalados.
Quando se utiliza mais de um captor Franklin, todos eles obrigatoriamente devem estar
interligados entre si com cabo de cobre nu de 35mm², passando por suportes adequados,
que devem ser instalados a cada 2 metros no máximo.
Caso existam estruturas metálicas sobre a edificação, como antenas de tv, tubulações,
placas metálicas, sistema de captação solar ou outras estruturas, estas também
obrigatoriamente devem ser interligadas ao sistema de captação mais próximo, com cabo de
cobre nu de 35mm² e com conectores do tipo split-bolt de latão.
O sistema de captação do tipo gaiola de Faraday, hoje muito utilizado, não apresenta
necessariamente um ângulo de proteção, pois seu conceito é diferente, e a proteção se dá
pela malha de proteção que será formada sobre a edificação.
Basicamente este sistema é utilizado em áreas maiores e de preferência em coberturas
planas, como por exemplo, grandes galpões com cobertura em telhas pré-moldadas ou telhas
de fibrocimento.
Sua constituição básica se dá, primeiro por um anel de cabo de cobre nu de 35mm², ou
outro condutor permitido por norma, que obrigatoriamente deve percorrer todo o perímetro
da edificação.
A segunda preocupação deve ser com telhados que tenham linhas de cumeeira mais elevadas
que o restante do telhado, pois neste caso necessariamente uma linha de cabo de cobre nu
de 35mm² deverá também percorrer toda a extensão desta linha de cumeeira.
Feito isto, o restante da área que sobrou, deverá ser dividido, no objetivo de formar
módulos que não podem ser maiores do que 10 x 20 metros, logicamente executados com cabo
de cobre nu de 35mm² ou com outros condutores permitidos por norma.
A titulo de exemplo, imaginemos um galpão de 20 x 40 metros com telhado de duas águas, e
com uma cumeeira central no sentido do comprimento.
Neste caso, o primeiro passo é passar um cabo em toda a volta, fechando o perímetro, e
uma linha no sentido da cumeeira, ficando, portanto cada lado do galpão, um retângulo
de 10 x 40 metros. Como a norma exige uma modulação de 10 x 20 metros, teremos então
que atravessar uma linha de cabo de uma lateral até a outra, dividindo-se o galpão no
sentido do comprimento, ao meio, ficando agora, 4 módulos de 10 x 20 metros.
Todos estes cabos obrigatoriamente devem ser de 35mm² no mínimo, e estar com suportes
adequados a cada 2 metros, ou com outros condutores e com suas fixações adequadas.
Para completar o sistema de gaiola de Faraday, neste condutor que circunda o perímetro,
e no condutor que percorre a linha de cumeeira, deverão ser instalados terminais aéreos
de altura de 500mm, que devem ser interligados aos condutores, sendo que estes terminais
devem ser instalados com uma distância máxima entre si de 6 metros.
Vale lembrar que em locais classificados ou com grande risco de incêndio, como
industrias químicas ou com materiais inflamáveis, a norma é mais severa, e deve ser
consultada, pois alguns itens deste descritivo sofrem alterações.
SISTEMA DE DESCIDAS
Caso a opção pelo sistema de captação seja tipo Franklin ou gaiola de Faraday, a norma
exige a mesma quantidade de descidas, ou seja, para fábricas, casas, prédios
residenciais e comerciais, são adotados uma descida para cada 20 metros de perímetro e
para edificações de grande circulação de pessoas, como shoppings, hospitais, escolas, é
adotada uma descida para cada 15 metros de perímetro.
Este cálculo é feito da seguinte forma: Imaginemos um galpão de 20 x 40 metros,
logicamente a soma do perímetro dará 120 metros (soma de 40+40+20+20)= 120, que a norma
neste caso de galpão industrial exige uma descida para cada 20 metros de perímetro,
portanto, será necessário instalar 6 descidas (120/20)=6.
Já se esta edificação fosse uma escola, por exemplo, com um perímetro de 120 metros, e a
recomendação de uma descida para cada 15 metros de perímetro, teríamos um total de 8
descidas (120/15)= 8.
Cada descida deve ser executada sempre que possível obedecendo, o distanciamento do
cálculo do perímetro, porém se houverem interferências e não for possível obedecer ao
espaçamento, a quantidade deve ser mantida, porém o distanciamento entre elas pode ser
menor, e devem ser executadas com cabo de cobre nu de 35mm², cabos de alumínio ou fitas
de alumínio, passando por suportes adequados colocados a cada 2 metros.
Outra exigência da norma, é quanto a utilização de um tubo de proteção até 3 metros
acima do solo, para evitar acidentes e danos ao condutor de descida, tubo este que pode
ser de 1.½", 1.¼" ou até de 1", e neste tubo deve ser instalada uma caixa de
inspeção com um conector de medição em latão dentro da caixa, para que, quando for
efetuar as medições dos aterramentos, a conexão do equipamento seja efetuada no conector
interno à caixa.
Nos locais onde estarão as descidas, caso haja alguma estrutura metálica próxima, esta
deverá ser interligada ao sistema de proteção, e devemos evitar instalar descidas a
menos de 0,50 metros de portas e janelas.
Outro fator importante a ser considerado, é que nos casos de se utilizar condutores de
descida de cabo ou fitas de alumínio, estes condutores devem seguir até no máximo a
caixa de inspeção tipo suspensa instalada no tubo de pvc, pois a partir deste ponto,
obrigatoriamente o condutor que seguirá para o aterramento, deverá ser de cabo de cobre
nu, pois é proibido instalar condutores de alumínio enterrados ao solo, pois o alumínio
sofre corrosão.
Esta emenda na caixa de inspeção, deve ser efetuada com o próprio conector de medição.
SISTEMA DE ATERRAMENTO
Estando a captação pronta e as descidas executadas, chegou o momento de se fazer os
aterramentos, que é por meio deste que as correntes elétricas se dissiparão no solo.
Atendendo as exigências da norma, cada descida deverá possuir no mínimo duas hastes de
aterramento de 5/8" x 2,40 metros, apesar de que na grande maioria das vezes são
colocadas 3 hastes, de forma a garantir um bom valor de resistência ôhmica, e estas
hastes podem estar distribuídas no solo de 3 formas, que são:
- Distribuição em triângulo - neste posicionamento, as 3 hastes são distribuídas
em triângulo, de forma que este triângulo tenha uma distância mínima entre as hastes
de 2,40 metros, e estejam interligadas entre si com cabo de cobre nu de 50mm², e com
conectores tipo grampo U em latão, ou com solda exotérmica.
- Distribuição em linha - neste posicionamento as hastes em número de 3 ou de 2,
são colocadas em linha, com espaçamento entre si de 2,40 metros, sempre interligadas
com cabo de cobre nu de 50mm² e com conectores tipo grampo U em latão ou solda
exotérmica.
- Distribuição prolongada - neste posicionamento, as hastes em número de 2 ou 3
são cravadas no solo uma sobre a outra, ficando uma única haste de 4,80 ou com 7,20
metros. Esta instalação é feita com a cravação da primeira haste, sendo em seguida
colocada uma luva cônica de latão que estará interligando a primeira haste com a
segunda, e tão logo a segunda esteja cravada, repete-se o processo para se adicionar
uma terceira haste.
Este processo é muito utilizado em locais onde se torna difícil à quebra de pisos e em
locais com pouca área para se fazer os aterramentos.
Em qualquer tipo de distribuição, é necessário uma caixa de inspeção de 8" ou de 12" com
tampa, se possível em todas as hastes, ou na pior das hipóteses, pelo menos na primeira
haste mais próxima da edificação, para o caso da distribuição ser em linha ou em
triângulo, caixa esta que serve para verificações das hastes e de suas conexões.
A norma recomenda que se for utilizado caixa de inspeção no solo, pode-se utilizar
conector para conectar o cabo às hastes, porém se for ficar tudo enterrado,
obrigatoriamente, deverá ser utilizado solda exotérmica.
Outro item que a norma recomenda, é a interligação de todos os aterramentos, a ser
executado com cabo de cobre nu de 50mm², circundando toda a edificação, e enterrado
aproximadamente 0,50 metros.
Esta malha de aterramento, muitas vezes por questão de custo e até por questões físicas
das construções, não são executadas, e se esta for a opção, torna-se mais importante
ainda se ter um valor de resistência ôhmica o mais baixo possível, já que os
aterramentos estarão individualizados.
A norma recomenda uma resistência ôhmica abaixo de 10 ohms, para se garantir um bom
funcionamento do sistema de pára-raios.
ESTRUTURAS METÁLICAS
Toda estrutura metálica que estiver próxima do sistema de pára-raios deve ser
interligada ao sistema de proteção, mesmo que estas estejam próximas das descidas.
As edificações construídas totalmente metálicas, desde que avaliada a sua utilização, e
a espessura do telhado, não necessitam de sistema de captação, pois a própria estrutura
já é um captor natural, e se ainda esta estrutura se prolongar até o solo, desde que
garantidas as continuidades elétricas entre suas partes, está poderá simplesmente ser
aterrada, utilizando-se para saber quantos aterramentos, o mesmo calculo do perímetro.
No caso de ser metálico somente a estrutura de cobertura e as paredes serem de
alvenaria, neste caso será necessário efetuar as descidas, partindo da estrutura
metálica até os aterramentos.
COMENTÁRIO GERAL
Os suportes de sustentação dos cabos de cobre, devem ser instalados a cada 2 metros, e
como existem suportes simples e suportes reforçados, a utilização é de 5 suportes
simples para 1 suporte reforçado, lembrando que a finalidade dos suportes reforçados
são garantir o tencionamento dos cabos de cobre, portanto, em cada lance de cabo a ser
tencionado, pelo menos em cada extremidade do cabo, deve ter um suporte reforçado que
deverá ser travado no cabo com conector do tipo split-bolt e tencionado com esticador
de cabo adequado.
Nas informações relacionadas quanto à utilização de suportes adequados, dependendo da
edificação onde se vai instalar o sistema de pára-raios, por exemplo, se for metálica,
se for alvenaria ou outro tipo de construção, deve-se consultar o catálogo de produtos
da RAYCON DO BRASIL, pois temos todos os componentes, suportes simples e reforçados com
varias fixações, captores, mastros, caixas de inspeção e conectores necessários para se
instalar um sistema de pára-raios, e principalmente componentes que atendem todas as
exigências da norma NBR-5419/2005 da ABNT.
Lembramos ao amigo instalador, que nosso departamento técnico está à disposição para
ajudar a dirimir duvidas e a orientá-lo nos acessórios corretos a serem utilizados.
Nossos produtos podem ser encontrados nos melhores distribuidores de materiais elétricos
do Brasil, mas lembre-se exija a qualidade RAYCON.
IMPORTANTE: Amigo instalador lembre-se, antes de qualquer coisa, primeiro da sua
SEGURANÇA, só trabalhe em altura se estiver totalmente seguro e com todos os
equipamentos obrigatórios em ordem e revisados.
RAYCON - PROTEÇÃO COM GARANTIA E QUALIDADE
MILTON JULIO ZANLUQUI
DIRETOR TÉCNICO